“A maioria das empresas já exauriu as possibilidades de aumentar o lucro por meio de corte de custos, reengenharias e melhoria da eficiência. Não se consegue gerar mais lucro sem a criação de novas receitas; se pretende gerar riqueza e ser bem-sucedida, a empresa tem de inovar.” Esta colocação do guru americano Gary Hamel, autor de Liderando a Revolução, comprova uma questão bastante teorizada porém pouco exercida pela grande maioria das empresas brasileiras: a prática da inovação. À ela está vinculada a prosperidade das empresas, e conseqüentemente seu faturamento.

Um estudo feito pelo IPEA concluiu que empresas inovadoras faturam 100 vezes mais do que aquelas que não inovam e suas exportações giram em torno de 30 milhões de reais enquanto as empresas que não inovam não exportam. Além disso, estas mesmas empresas pagam salários 70% maiores e a escolaridade média da mão-de-obra é superior a nove anos de estudo ante sete anos das demais.

No Brasil, apenas um quinto dos cerca de 90.000 cientistas e pesquisadores trabalha no setor privado, enquanto os demais estão no meio acadêmico – o inverso do que acontece nos países tecnologicamente desenvolvidos. Como resultado, a indústria brasileira possui um insignificante percentual de 2% de empresas industriais que investem seriamente em tecnologia. São companhias que dedicam boa parte de seu tempo para desenvolver produtos diferenciados e, com isso, conseguem um preço de vendas pelo menos 30% maior do que seus concorrentes. O faturamento médio anual deste grupo é de 135 milhões de reais que corresponde a 26% do faturamento industrial brasileiro. Trata-se de um clube restrito, mas rico. Ao lado dessas empresas mais dinâmicas, há um segundo grupo numa categoria intermediária de tecnologia. Ele é formado por cerca de 15 mil empresas que buscam a inovação para reduzir custos e não para oferecer produtos novos e melhores.

Estas empresas atendem o mercado interno e externo, porém, com menos agilidade. A grande maioria das indústrias brasileiras encontra-se neste patamar. Entretanto, os pesquisadores apostam que mais e mais companhias vão seguir os passos traçados pelas empresas líderes pois o espaço para quem não investe em tecnologia tende a se reduzir gradativamente.